20 Setembro 2011
"Small is Beautiful"- Rede diplomática: nem sempre o mais óbvio é o que melhor defende o interesse nacional!

O Semanário Expresso, publicou na sua edição do passado Sábado (17/09/2011) um artigo do eurodeputado Mário David intitulado "Small is beautiful" sobre a reestruturação da rede diplomática portuguesa. Leia o artigo na íntegra seguidamente, ou pela impressão da imagem que se encontra do lado direito.

Small is Beautiful
Em tempos de necessária e contundente contenção orçamental que se pretende sustentável, nenhum sector pode escapar. Vem isto a propósito da reflexão a que seguramente se está a proceder relativamente à rede diplomática nacional e à sua racionalização, não só fruto da crise como duma nova noção de diplomacia. Em termos estratégicos, o Governo levará certamente em conta as comunidades portuguesas, as afinidades históricas e culturais, os interesses económicos nacionais, o acompanhamento de proximidade de fontes energéticas essenciais e a relevância de alguns países na cena internacional. Não atribuo particular atenção aos fluxos de turismo no estrangeiro porque o Tratado de Lisboa e o novo Serviço de Acção Externa da União Europeia garantem essa protecção.
Portugal dispõe de 77 Embaixadas (34 na Europa, 18 em África, 13 na Ásia, 11 nas Américas e 1 na Oceânia) e 9 Missões Permanentes em Organismos Internacionais. Pena é que não possamos estar antes a sugerir o alargamento da nossa rede ao Vietname (o único dos CIVETS, os novos países emergentes depois dos BRIC, em que não temos embaixada), ao Cazaquistão ou ao Qatar! Mas o tempo é de crise e, provavelmente, vai ser preciso emagrecê-la!
Gostaria de, frontalmente, deixar um contributo, consciente de quão desagradável é abordar este tema e referir a necessidade de encerrar representações em países amigos. Darei 6 exemplos: tendo em conta os critérios referidos, nas Américas, a ser preciso encerrar, Cuba e Uruguai são os candidatos naturais. Na Ásia referirei o Irão. Em África o Quénia, Senegal e Zimbabué, já que a representação na Etiópia cobre a União Africana.
Este doloroso exercício visa um alerta já que existe um perigo eminente. É que nem sempre o mais óbvio é o que melhor defende o interesse nacional! Poderia parecer evidente cortar Chipre, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia e Malta! Não poderia haver maior erro estratégico e diplomático!
A União Europeia é o nosso espaço vital! E um dos nossos interesses supremos é que a UE seja, e se mantenha, uma comunidade de Estados iguais. Temos consciência que, pela sua dimensão demográfica e económica, alguns dos 27 têm um peso relativo diferente. Mas é impensável que um país de média dimensão, como o nosso, dê aos seus parceiros, sejam eles maiores ou menores, esta ideia de que não temos todos a mesma dignidade!
Numa União infelizmente cada vez mais intergovernamental, para além de toda a actividade diplomática entre as Representações Permanentes em Bruxelas, é imprescindível uma acção quotidiana em cada uma das Chancelarias para sensibilizar cada Governo para as nossas posições, estabelecer alianças e cumplicidades. E nem a crise financeira que atravessamos faria os nossos parceiros compreender esta atitude se ela se materializasse! E retaliariam encerrando a sua Embaixada em Lisboa, cortando assim outro canal de contacto! A "desculpa" da crise serve para todos!
Estou seguro que no Governo esta convicção está bem ancorada! Mas é preciso que a comunidade nacional compreenda a razão deste esforço! Muitas vezes, "small is beautiful"!
Mário David
Eurodeputado PSD
Vice-Presidente do PPE











