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11 Julho 2011

Portugal, A Europa e o Mundo: em acelerado processo de mudança. Artigo de Opinião, Mário David MPE

Na passada Sexta-feira (8 de Julho) a Revista "AEA Económica" da Associação Empresarial de Águeda, que é publicada juntamente com o Jornal "Vida Económica" publicou um artigo de opinião do eurodeputado Mário David intitulado "Portugal, a Europa e o Mundo - em acelerado processo de mudança". Nesse artigo, Mário David efectua um exercício de perspectiva relativamente ao futuro próximo do país, da Europa e do mundo, concluindo com optimismo que, "apesar dos 'know unknowns' e dos 'unknown unknowns' terem que continuar, obrigatoriamente, a fazer parte das nossas perspectivas e dos nossos planos para o futuro, julgo que a estabilidade oferecida pelo novo Governo e a vontade já demonstrada em reequilibrar as contas públicas e estimular o crescimento económico e o emprego, são garantias mais do que suficientes para um quadro de alguma segurança e optimismo para todos nós enquanto portugueses". Conheça o artigo na íntegra:

PORTUGAL, A EUROPA E O MUNDO.

Em acelerado processo de Mudança

 

As eleições de 5 de Junho mudaram Portugal! Mas Portugal irá mudar ainda mais. Um novo Primeiro-Ministro, uma nova maioria, um novo Governo, com uma nova atitude, uma nova responsabilidade, que nos trazem uma nova esperança, um novo Portugal!

O roteiro da Troika marcará indelevelmente o futuro próximo do país. Mas também o programa eleitoral do PSD sufragado nas eleições e já transformado em Programa de Governo, bem como a nova postura que Pedro Passos Coelho está a imprimir ao Governo.

Avizinham-se tempos difíceis. Mas é importante que, com rigor, sobriedade e alguma audácia, ultrapassemos este momento e perspectivemos, enquanto portugueses conscientes da situação dramática que atravessamos, um futuro mais promissor. O Governo já deu boas indicações de que podemos confiar no seu empenho, motivação e energia! O programa de Governo está apresentado. Aguardemos pelos (bons) resultados!

Mas também a Europa está em processo de mudança... A Europa "pós entrada em vigor do Tratado de Lisboa" já tem 18 meses de vida! O compromisso assumido pelos 27 Estados Membros em Dezembro de 2007 caminha lentamente para a sua efectivação prática...

As circunstâncias económico-financeiras e sociais de todos conhecidas, a maior partilha de soberania prevista, a complexidade associada a algumas das medidas nele consagradas e o pairar de um estranho sentimento populista de "anti-aprofundamento" do ideal europeu, ditam a lentidão do processo.

O caso grego, e num sentido mais lato "a crise das dividas soberanas" tem marcado a agenda europeia. Sinto que a Europa sairá mais forte desta crise, mas também sinto que nada mais será como antes. O Tratado de Lisboa, moldado pelas circunstâncias da crise económica-financeira e social que vivemos, marcará o futuro do nosso continente.

Novos movimentos sociais emergem um pouco por toda a Europa e embora as reivindicações sejam antigas, as soluções expostas por estes grupos são algo difusas, de cariz negativo e puramente contestatário. Bastante diferentes e diria mesmo algo incoerentes em face ao passado da maioria destes grupos. Verifica-se nos discursos e na atitude destes movimentos um certo anarco-comunismo, pontilhado aqui e ali por fortes desejos de uma vida material confortável, de preferência cómoda e por um Sistema Social forte e generoso, apenas possível no seio do mais avançado Capitalismo!

Não quer isto dizer que não reconheça que os problemas existem! Sim. Existem e exigem resposta! E terá que ser certamente uma resposta diferente daquela tradicionalmente oferecida pelo establishment político-partidário, em especial pelos Partidos de esquerda.

No PPE, cientes desta nova realidade, temos promovido debates e novas soluções politicas que permitam responder aos desafios e anseios lançados por largas franjas da população. Em Portugal, e bem mais próximo de nosso quotidiano, também o PSD o tem feito, sendo a prova mais evidente, o novo programa de Governo recentemente apresentado.

Sei que esta nova atitude na acção politica do centro-direita vai resultar e trazer um novo período de crescimento e desenvolvimento a todo o continente europeu. Basta alguma paciência para que as medidas sejam implementadas e frutifiquem. A seguir à tempestade, virá a bonança! E ganharemos todos enquanto portugueses e europeus!

Sei ainda que "mais Europa" é sempre uma "melhor Europa". E o processo de construção europeia tem-se vindo a aprofundar nos últimos anos. Enquanto europeísta convicto, gostaria que tal se verificasse de forma mais rápida... Infelizmente tal não está a suceder... Por agora, é apenas esta a minha frustração...

Mas também o mundo está em processo de mudança! A Primavera Árabe. Os movimentos civis no Irão. O advento dos BRICs. O futuro politico e financeiro dos EUA. Os próximos capítulos do Processo de Paz no Médio Oriente, previsivelmente já em Setembro. O diálogo inter-religioso e inter-cultural. O novo conceito Estratégico da NATO. A reforma da ONU. A crise das dividas soberanas. A direcção do comércio mundial. A crise económica e social dos países do sul da Europa. A imigração do Norte de África.

E ainda (e já há demasiado tempo...) o subdesenvolvimento, a desertificação e o despovoamento, a fome ou a subnutrição, a guerra, os desafios energéticos, o futuro do nuclear, a importância da ecologia e das alterações climáticas, a injusta distribuição da riqueza, o crime organizado, a droga, o stress....

E é agindo sobre esta realidade interligada e em permanente mutação, que todos nós, enquanto cidadãos, políticos ou empresários temos obrigação de ser pró-activos e voluntariosos!

E nem sempre é fácil, pois muitas vezes o que é uma verdade de manhã, já não o é à tarde! É assim em Bruxelas, em Lisboa, em Nova Iorque, Cabul ou no Cairo! Nas Instituições europeias acresce o facto de pertencermos a 27 países diferentes, que nem sempre partilham uma verdadeira "solidariedade de facto" como prevista nos textos constitutivos da União...

Antes de terminar, reitero a nota de esperança inicial. Apesar dos "know unknowns" e dos "unknown unknowns" terem que continuar, obrigatoriamente, a fazer parte das nossas perspectivas e dos nossos planos para o futuro, julgo que a estabilidade oferecida pelo novo Governo e a vontade já demonstrada em reequilibrar as contas públicas e estimular o crescimento económico e o emprego, são garantias mais do que suficientes para um quadro de alguma segurança e optimismo para todos nós enquanto portugueses.

Julgo por isso que o país como um todo, mas muito em especial os nossos empresários deverão continuar a ser aguerridos e criativos por um lado, mas por outro sóbrios e sensatos. Em concreto, exportar cada vez mais, cortar ou optimizar custos e inovar permanentemente! No meu ponto de vista, passa por aqui o caminho do sucesso! Eu sei que o sabem melhor do que eu!

Versão para imprimir (jpg): http://www.flickr.com/photos/mariodavid/5926180730/in/photostream

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