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in english Página Oficial de Mário David Deputado ao Parlamento Europeu. Vice Presidente do Partido Popular Europeu

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15 Fevereiro 2011

Mário David: "Camarate não aconteceu por acaso, mas foi acidente"

O eurodeputado vai ser chamado pelo PSD à comissão de inquérito sobre a morte de Sá Carneiro, avança hoje o "Jornal I" na sua edição online.

O eurodeputado social-democrata Mário David tem uma opinião sobre a morte do antigo primeiro-ministro Sá Carneiro pouco consensual dentro do PSD: "Camarate não aconteceu por acaso naquele momento, mas foi acidente." Mário David era à data da morte de Sá Carneiro assistente pessoal do candidato à presidência da República António Soares Carneiro e número dois da campanha. Com apenas 27 anos, confirmou ao i, fechou o "acordo com a empresa portuguesa que era proprietária do avião" Cessna que se despenhou, escassos segundos depois de levantar voo, em Camarate, no dia 4 de Dezembro de 1980 - com Sá Carneiro e o ministro da Defesa Nacional, Amaro da Costa, a bordo. Foi, na época, uma das testemunhas interrogadas pela Polícia Judiciária e, como passageiro, esteve a bordo do avião no voo anterior ao do acidente. Apesar de ter sido testemunha e, mais tarde, deputado da Assembleia da República, nunca foi ouvido em qualquer das oito comissões de inquérito à tragédia de Camarate que tiveram lugar ao longo dos últimos 30 anos. Agora, sabe o i, o PSD pretende chamá-lo para ser ouvido no novo grupo de trabalho que foi criado.

A tese de acidente, para a qual penderam os diferentes inquéritos feitos ao caso (judiciais e não só), foi sustentada em testemunhos como os dados na altura por Mário David, que defendeu que o avião já tinha tido problemas técnicos anteriores ao acidente. No relatório de 2002 do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Habitação de reabertura da investigação técnica ao acidente são transcritas várias passagens, nas quais o eurodeputado descreve os problemas que presenciou no motor esquerdo do avião durante o voo anterior ao do acidente. "Um pouco antes de Coimbra [voo Porto-Lisboa, na madrugada de 04/12/80] sentiu uma queda brusca de rotação do motor esquerdo que logo retomou [...] reparou que o indicador de quantidade de combustível em frente ao 2.o piloto indicava menos de 1/3 no indicador esquerdo e cerca de 3/4 no direito e até comentou: ''Olhe para isto, há hipótese de Lisboa estar fechada e estes malandros vão com o avião completamente desequilibrado", lê-se no documento. Noutra passagem é referido que o eurodeputado observou que "o motor esquerdo perdia ou pelo menos estava muito sujo de óleo".

Contactado pelo i, Mário David assume que a sua opinião não reúne consenso dentro do partido, mas reitera que "leu o relatório da empresa americana fabricante do avião". "Os americanos eram os primeiros a querer provar a tese de atentado e concluíram que se tratava de um acidente."

Hoje vai ser ouvido, no âmbito da nona comissão de inquérito ao caso, o advogado das famílias das vítimas do desastre, Ricardo Sá Fernandes, para dar conta do processo que corre no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos contra o Estado português. Os antigos procuradores da República Cunha Rodrigues e Souto Moura e o ex-ministro Freitas do Amaral também fazem parte da lista das personalidades que serão ouvidas.
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