
Como habitualmente, o eurodeputado Mário David disponibiliza no seu website as declarações de voto que entendeu efectuar nas Sessões Plenárias anteriores. Seguidamente, poderá consultar as declarações de voto efectuadas nas duas Sessões de Setembro em Estrasburgo. Após as declarações de voto, poderá igualmente conhecer o teor das duas intervenções que Mário David efectuou em Estrasburgo (ou reler) e das quais deu já deu nota anterior no website. Caso tenha interesse, neste link: http://www.europarl.europa.eu/sidesSearch/search.do?type=CRE&language=PT&term=7&author=96973 poderá consultar todas as declarações de voto e todas as intervenções que o Eurodeputado Mário David efectuou em sede de Plenário no Parlamento Europeu.

Supervisão das situações orçamentais e supervisão e coordenação das políticas económicas
Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011
O relatório integra uma das seis propostas legislativas do Parlamento Europeu e do Conselho sobre a prevenção e correcção dos desequilíbrios macroeconómicos no âmbito do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC). Deste relatório destaca-se a relevância dada aos critérios estabelecidos no PEC e à necessidade da sua inclusão nas jurisdições dos Estados-Membros (EM), assegurando que os EM incluem os critérios no seu orçamento de défice e divida publica anuais. Voto favoravelmente este relatório por considerar que integra um plano de reestruturação necessária à eficiência e rigor da política económica europeia, acrescentando valor a todo o pacto legislativo em causa. Considero que uma boa governação económica se atinge com uma melhor coordenação politica através de um quadro de fiscalização fortalecido que garanta a transposição nacional das normas comunitárias. Não pode contudo ficar sem critica que propostas feitas pela Comissão em 15 de Setembro de 2010 só tenham merecido o Acordo do Conselho mais de um ano depois.
Sobre a proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho relativo à aplicação eficaz da supervisão orçamental na área do euro
Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011
O relatório suporta na generalidade, a posição da Comissão, apresentando, todavia, novas propostas destinadas à prevenção e correcção dos desequilíbrios macroeconómicos dos Estados-Membros. Saliento o reforço do diálogo económico entre os Estados Membros, a Comissão, o Parlamento Europeu e o Conselho, bem como a criação de multas para a apresentação de estatísticas fraudulentas, dentro e fora da Zona Euro. Voto favoravelmente o presente relatório por considerar que as regras de disciplina orçamental saem reforçadas e que por isso, este caminho, reforça objectivamente as instituições comunitárias e vai de encontro aos princípios fundadores da nossa União. Lamento contudo mais uma vez, que propostas feitas pela Comissão em 15 de Setembro de 2010 só tenham merecido o Acordo do Conselho mais de um ano depois.
Sobre a proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho relativo às medidas de execução para corrigir os desequilíbrios macroeconómicos excessivos na área do euro
Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011
O regulamento atribui uma importância acrescida ao quadro de comparação de indicadores macro-económicos dos Estados Membros, como uma ferramenta de identificação e monitorização de desequilíbrios (sistema de alerta precoce), que desencadeará um estudo mais profundo de forma a perceber as verdadeiras causas desses desequilíbrios. Voto favoravelmente o presente relatório, por acreditar que os novos mecanismos de supervisão criados (ou já existentes mas melhorados) permitirão duma forma mais clara identificar e corrigir desequilíbrios numa fase embrionária, o que permitirá acções correctivas em moldes mais eficientes e eficazes. Gostaria contudo de ter visto o papel do Parlamento Europeu sair mais reforçado no âmbito deste processo, nomeadamente no que diz respeito à sua inclusão no processo decisório. Eu sei que me estou a repetir, mas tenho absolutamente que criticar o facto de que propostas feitas pela Comissão em 15 de Setembro de 2010 só tenham merecido o Acordo do Conselho mais de um ano depois.
Proposta de regulamento do Conselho que altera o Regulamento (CE) n.º 1467/97 do Conselho relativo à aceleração e clarificação da aplicação do procedimento relativo aos défices excessivos
Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011
Neste relatório, destaca-se a proposta pela redução da divida soberana com base numa taxa média num período de 3 anos, por contraposição a uma taxa fixa anual pelo mesmo período anteriormente defendida pela Comissão. Voto favoravelmente estas alterações, por considerar que representam um instrumento legislativo importante para o desenvolvimento de uma acção correctiva que assegure a sustentabilidade fiscal dos Estados Membros. Sublinho que, com a aprovação deste documento, a Comissão passa a ter responsabilidades em termos de coordenação e supervisão, assumindo uma posição mais dinâmica na avaliação e acompanhamento do desempenho de cada Estado-Membro. Trata-se de um passo importante para a reestruturação, reforço e para um maior dinamismo da Política de Estabilidade e Crescimento Europeia. Gostaria, por fim, de enfatizar que só uma coordenação económica efectiva poderá conduzir a uma UE mais coesa e mais competitiva e não posso deixar de criticar o facto de que propostas feitas pela Comissão em 15 de Setembro de 2010 só tenham merecido o Acordo do Conselho mais de um ano depois.
Sobre a proposta de directiva do Conselho que estabelece requisitos aplicáveis aos quadros orçamentais dos Estados-Membros
Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011
O relatório suporta, na sua generalidade, a posição da Comissão. Todavia, uma atenção especial é dada à necessidade de autonomia das instituições estatística e fiscal nacionais. Voto favoravelmente o presente relatório, por considerar que uma maior coordenação a nível dos orçamentos dos Estados Membros, estejam ou não dentro do Euro é sempre preferível ao contrário, embora considere que se poderia ter ido mais longe nesta coordenação. Correndo o risco de me repetir, tenho mais uma vez que lamentar que propostas feitas pela Comissão em 15 de Setembro de 2010 só tenham merecido o Acordo do Conselho mais de um ano depois.
Sobre o projecto de decisão do Conselho relativo à celebração de um novo Protocolo que fixa as possibilidades de pesca e a contrapartida financeira previstas no Acordo de Parceria no domínio da pesca entre a União Europeia e a República de Cabo Verde
Terça-feira, 27 de Setembro de 2011
Esta resolução legislativa aborda o projecto de decisão relativo ao novo protocolo para o Acordo de Parceria entre a União Europeia (UE) e Cabo Verde. O objectivo é fomentar a cooperação entre a UE e a Republica de Cabo Verde a fim de desenvolver uma politica de pesca sustentável e garantir a exploração racional dos recursos na zona de pesca de Cabo Verde. Esta parceria assegura a sustentabilidade dos recursos, trazendo benefícios manifestos para ambas as partes. Voto favoravelmente este relatório, por considerar que o Acordo promove uma parceria privilegiada entre a UE e uma importante Região, promovendo a dimensão Atlântica no que diz respeito à Política Marítima Integrada da UE. Considero ainda que este Acordo é coerente com as políticas das pescas, marítima e de desenvolvimento da UE. Gostaria de realçar, a titulo de exemplo o caso de Portugal que, à face deste protocolo, garante um aumento das suas licenças para palangre de 7 para 9. Num âmbito mais lato, aguardo igualmente um reforço do Acordo de Parceria Especial UE-Cabo Verde, que tem verificado assinaláveis progressos ao longo dos últimos anos e tem contribuído, inegavelmente, para o desejável processo de diálogo e convergência entre Cabo Verde e a UE.
Sobre o projecto de decisão do Conselho sobre a conclusão do Memorando de Cooperação NAT-I-9406 entre os Estados Unidos da América e a União Europeia
Terça-feira, 27 de Setembro de 2011
O memorando de cooperação sobre o qual nos pronunciamos hoje, propõe modalidades e condições de colaboração para fomentar a investigação no domínio da aviação civil entre a UE e os EUA. Esta cooperação pode desenvolver-se através do intercâmbio de informações sobre programas e projectos, resultados da investigação ou publicações, de equipamento, software e sistemas específicos para actividades de investigação e estudos de compatibilidade. Pode também incluir a coordenação de programas e projectos de investigação e desenvolvimento, assim como a sua execução. Voto favoravelmente este relatório pois considero que promove a solidariedade a cooperação transatlântica, abrindo assim novas oportunidades para futuras cooperações noutros domínios. Com este memorando, eliminam-se barreiras técnicas, possibilitando estruturas de investigação partilhadas, assim criando sinergias, a fim de atingir resultados científicos mais céleres e rigorosos. Com a celebração deste acordo reforça-se a confiança mútua, a investigação partilhada e o crescimento e desenvolvimento económico e científico. Vejo, por isso, com bastante agrado esta aproximação e sublinho a importância de que a mesma seja contínua, não só no domínio da aviação civil como noutros, onde existam sinergias a ser conseguidas.
Sobre a proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho relativo à integridade e à transparência nos mercados da energia
Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011
Votei favoravelmente este relatório, pois considero absolutamente fundamental a monitorização eficaz dos mercados de energia europeus. O reforço do papel da ACER (Agência Europeia para a Cooperação dos Reguladores de Energia) com sede em Liubliana na Eslovénia, em especial no que diz respeito a uma coordenação verdadeiramente eficaz da rede de reguladores dos Estados Membros e à aplicação do quadro legal vigente, trará maior transparência e eficiência aos mercados, o que se traduzirá em ganhos económicos objectivos. Gostaria ainda de salientar o reforço do papel, nas áreas da investigação e da aplicação do quadro legal em vigor, que me parecem extremamente importantes, como elementos dissuasores para práticas concorrenciais lesivas dos interesse dos Estados membros, da União e dos consumidores. Espero agora que o Acordo final com o Conselho seja rapidamente atingido no seguimento do Acordo informal do passado dia 23 de Junho com a Presidência húngara e que este Regulamento entre rapidamente em vigor.
Relativa à celebração do Acordo entre a União Europeia e o Governo da República Federativa do Brasil sobre segurança da aviação civil
Terça-feira, 13 de Setembro de 2011
O aprofundamento das relações comerciais e de confiança mutua entre a UE e o Brasil parece-me óbvio e surge como consequência lógica da interacção entre os agentes económicos, que se expressa no facto do Brasil ser o décimo maior parceiro comercial da UE. Hoje discutimos um Acordo na área da segurança da aviação civil, ao qual damos o nosso assentimento, no âmbito das novas competências ganhas com o Tratado de Lisboa. E ao fazê-lo, neste caso específico, estamos também a celebrar a nossa União e uma das nossos maiores conquistas- a eliminação de barreiras técnicas entre os Estados membros e entre os Estados membros e países terceiros ou blocos económicos, com os quais estabelecemos uma relação de confiança mútua e de reciprocidade. Ganham com isto as nossas empresas e os nossos concidadãos, pelo simples facto de terem acesso a um quadro legislativo mais abrangente, mais racional e de matriz única para toda a Europa. Vejo com agrado o aprofundar de relações com o Brasil, e espero que, num futuro que desejo próximo, esta casa possa dar a sua aprovação a outros Acordos desta natureza.
Intervenções
Actividade da semana ministerial da Assembleia Geral das Nações Unidas, em especial o processo de paz no Médio Oriente e o Norte de África (debate)
Terça-feira, 27 de Setembro de 2011
A não existência de um processo de paz em curso está a colocar em causa os direitos básicos e tem levado à assunção de medidas unilaterais de parte a parte que não têm contribuído, de forma alguma, para um desanuviar das tensões na região e, muito menos, para a busca efectiva de uma vida para os dois povos que têm o direito a viver harmoniosamente em paz, segurança e com dignidade.
Chegou a altura da comunidade internacional dizer basta! Chegou a altura da Europa e da Liga Árabe impulsionarem a busca de uma solução duradoura, com sensatez, apresentando soluções viáveis, sem demoras e com prazos limites. É evidente que os Estados Unidos e a Rússia já não fazem parte da solução.
Comecemos por Jerusalém: por que não recomeçar a ideia inicial de um corpus separatum administrado pela ONU e que funcione, obviamente, como capital dos dois Estados?
Fronteiras: comecemos pelas de 67. Troquem-se parcelas de terreno quanto possível e coerente. Cuide-se da defesa de Israel, assunto obviamente incontornável para o povo judeu. Por exemplo, através da colocação de capacetes azuis com americanos, europeus e forças islâmicas junto ao Jordão.
Refugiados: existem cerca de 4,8 milhões e têm o direito à sua dignidade. A um futuro ligado a uma terra, de preferência a sua. Mas não são exclusivamente um problema israelita, nem palestiniano, é também nosso, é dos países vizinhos árabes, da comunidade árabe em geral, mas também da Europa e da restante comunidade internacional.
Colonatos: tem de acabar a sua expansão. E isto não é negociável. O anúncio feito hoje é vergonhoso e traduz a hipocrisia e a má-fé num anúncio de disponibilidade para negociações imediatas. Acima de tudo queremos negociações de boa-fé, empenhadas com uma data-limite para a sua conclusão, a partir da qual a comunidade internacional, para manter a sua credibilidade, terá de ter outra atitude.
Situação do processo de paz do Médio Oriente (debate)
Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011
Senhor Presidente, debatemos o processo de paz no Médio Oriente, mas há algum processo em curso que me tenha escapado? Infelizmente, não. A União Europeia pronuncia-se repetidamente, como a maioria da comunidade internacional, pela existência de dois povos e dois Estados, partilhando o espaço entre o Rio Jordão e o Mediterrâneo, que têm o direito de aspirar a viver em paz e segurança. Mas sem diálogo entre as partes, enquistando-se num avolumar de ódios e incompreensões que se prolonga há 63 anos, alimentam-se apenas extremismos e frustrações.
É fundamental que a Europa e a Liga Árabe se envolvam muito mais na busca de uma solução negociada para as fronteiras, baseada nas existentes em 67, com as trocas que permitam que a maioria dos colonatos judeus fiquem em Israel. Que a questão de Jerusalém, cidade santa, futura capital dos dois Estados, seja clarificada e mutuamente aceite como símbolo de convivência pacífica entre dois povos que têm a obrigação de concretizar a profecia de Isaías, de que aquela é a terra do leite e do mel. Que todos os países da região participem na resolução da questão dos refugiados palestinianos e que a comunidade internacional – e, em particular, a nação árabe – participe nas necessárias compensações financeiras.
É ainda absolutamente essencial que uma força militar, sob a égide da ONU e com a participação, entre outras, de forças americanas e islâmicas, seja colocada no terreno como garante da manutenção da paz. Assim haja coragem e vontade política.











