25 Fevereiro 2010
Mário David promove encontro entre a Conferência Episcopal Portuguesa e os deputados portugueses no Parlamento Europeu

Ontem, durante a manhã e no âmbito da visita da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) às Instituições Europeias, o Eurodeputado Mário David promoveu um Encontro entre a Delegação da CEP e os eurodeputados portugueses, estando representados todos os Grupos Políticos no Parlamento Europeu, onde existem deputados portugueses eleitos.

Esta reunião permitiu uma troca de impressões muito rica e profícua entre os responsáveis da Igreja Católica portuguesa e os eurodeputados, sobre o papel da Igreja, da Sociedade Civil em geral e das Instituições Europeias na construção de uma sociedade mais justa, mais inclusiva e solidária.
No dia anterior, uma delegação da Comitiva portuguesa da CEP, que incluiu, além do seu Presidente, o Arcebispo de Braga Sr. D. Jorge Ortiga, também D. António Vitalino Dantas, Bispo de Beja e Presidente da Comissão Episcopal para a Mobilidade; D. Albino Mamede Cleto, Bispo de Coimbra e membro do Conselho Permanente; D. Manuel Felício, Bispo da Guarda e Presidente da Comissão Doutrina e Fé; D. António José Tomás, Bispo coadjuvante de Lamego e membro da Delegação da CEP na COMECE e D. António Sousa Braga, Bispo de Angra, reuniu com o Presidente da Comissão Europeia, Dr. Durão Barroso, antes de um jantar-debate aberto a toda a Comitiva que veio de Portugal.
Esta Comitiva, além dos prelados já referenciados, integra entre outros, o Pde. António Vaz Pinto, Director do Centro de Estudos da CEP; o Pde. António Rego Director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja; o Pde. Lino Maia Presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade; Pde. Joaquim Garrido Mendes, Director do Secretariado da CEP; Pde. João Campos, Director do Conselho de Gerência da RR; Pde. Manuel Barbosa, Presidente da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal; Fr. Francisco Diniz, Director da Obra Católica Portuguesa das Migrações; Pe. José Leitão, Antena Fé e Justiça; Alfredo Bruto da Costa, Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz; Manuel Braga da Cruz, Reitor da Universidade Católica; João Pinto Basto, Presidente da ACEGE; João Fernandes, Presidente da AEEP; Isilda Pegado, Presidente da Federação Portuguesa pela Vida; Pde. Piotr Mazurkiewicz, Secretário-Geral da COMECE. A comitiva é ainda acompanhada por um conjunto de jornalistas, que viajou de Portugal.
Num debate muito participado, que ocorreu durante o jantar e em ambiente informal, os presentes puderam trocar impressões com o Dr. Durão Barroso, por exemplo, sobre o futuro da União Europeia, após a recente entrada em vigor do Tratado de Lisboa, o diálogo entre as Instituições Europeias ou os Estados Membros e as confissões religiosas, bem como sobre as políticas sociais, de combate à pobreza, ao desemprego e à exclusão social.
Conheça a intervenção do deputado Mário David no encontro com os eurodeputados portugueses nos seguintes parágrafos e veja o video sobre esta reunião em http://videos.sapo.pt/yrPPSrBs6gKr7PhiFzVT, com intervenções de deputados de outros grupos políticos sobre o papel e a intervenção da igreja na sociedade. Neste link (http://noticias.sapo.pt/noticias/info/artigo/1048103.html), veja o deputado Mário David a falar sobre esta mesma temática.
Intervenção do Deputado Mário David, na abertura do Encontro com os eurodeputados portugueses
Sua Eminência Reverendíssima, Senhor D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa
Suas Eminências Reverendíssimas, Senhores Bispos de Dioceses em Portugal
Senhor Reitor da Universidade Católica Portuguesa
Minhas Senhoras e Meus Senhores
Caras e Caros Colegas
É com a maior satisfação e orgulho que gostaria de vos dar as Boas Vindas a Bruxelas e ao Parlamento Europeu, a casa da Democracia Europeia.
O Parlamento Europeu, assume no quadro institucional da União Europeia um papel crucial, nomeadamente por ser aqui aprovada ou rejeitada a maioria da legislação comunitária. O Parlamento Europeu tem visto nas sucessivas revisões aos Tratados, nomeadamente com o Tratado de Lisboa, o seu poder de decisão e influência exponencialmente alargados. Este facto, revela por si só, a importância que os Europeus e os seus líderes dão hoje a esta casa e ao seu papel no processo da sua construção, hoje em dia responsável por mais de 70% da nossa legislação nacional. Prova também a vontade de cada vez conferir uma legitimidade democrática acrescida a este processo.
Mas nesta União Europeia cada vez mais presente no nosso dia-a-dia, abarcando várias dimensões sejam elas as mais obvias como a Económica e a Geopolítica, ou a dimensão Social (que a actual crise provou não poder nem dever ser ignorada) ou noutras menos exploradas como no campo dos Valores e do que queremos ser enquanto indivíduos e como nos organizamos em Sociedade, o debate e a abertura dos decisores políticos, àquilo que tradicionalmente se chamam as forças vivas da Sociedade Civil, é não uma faculdade, mas sim, uma clara missão.
É nesse contexto que entendi dirigir à Conferência Episcopal Portuguesa, um convite para que os responsáveis pela Igreja em Portugal pudessem visitar, interagir, discutir e desafiar vários titulares de órgãos das Instituições Europeias. Queria agradecer a honra que me deram de poder contar hoje aqui, com a Vossa presença, e permitam-me uma palavra especial para agradecer a Suas Excelências Reverendíssimas a disponibilidade para viajando de todo o País (Continente e Ilhas) se deslocarem até Bruxelas para participar nesta visita. Queria também agradecer à ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores) nas pessoas dos Drs. Jorge Líbano Monteiro e Gonçalo Correa de Oliveira pela ajuda inestimável que deram na preparação e montagem desta visita. A ACEGE tem empreendido um trabalho que muito valorizo e que com gosto vou acompanhado em diversas dimensões, nomeadamente neste concretizar de encontros entre a Igreja e diversas realidades sociais que julgo serem de enorme valor e crescimento para todas as partes envolvidas.
Como católico, leigo e praticante de coração, mas também médico e político é com grande alegria que interpreto a aceitação deste convite: a Igreja está consciente do efeito altamente positivo que pode ter na construção de uma sociedade Europeia mais fraterna, mais justa e respeitadora de valores, pedra basilar da sua construção, e que para isso o dialogo aberto, franco e honesto entre actores políticos e religiosos é um caminho que não devemos temer mas antes tomar com consciência. Dizia-nos Tocqueville, aquando da sua visita aos Estados Unidos salientado o papel muito positivo que a religião tem na construção da Cidade: “ A religião vê na Liberdade civil um nobre exercício das faculdades do Homem: no mundo político vê um terreno livre que o Criador ofereceu aos esforços da inteligência. Livre e poderosa na sua esfera, satisfeita com o lugar que lhe é reservado, ela sabe que o seu império se estabelece tanto melhor quanto reine apenas pelas suas próprias forças e quanto domine os corações sem precisar de se servir de outros apoios. A liberdade vê na religião a companheira das suas lutas e dos seus triunfos, o berço da sua infância, a fonte divisa dos seus direitos. Considera-a salvaguarda dos costumes e estes garantes das leis e da sua própria durabilidade”.
Todos aceitamos e defendemos o princípio da separação entre o Estado e a Igreja, e por isso tudo fiz e farei para que esta visita não seja entendida no quadro politico partidário, nacional, mas esse principio não deve nunca fazer com que religiosos e políticos não dialoguem, não se compreendam e se respeitem.
Portugal e nomeadamente um certo pensamento que ai existe, e totalmente ao contrário da larga maioria dos países Europeus, ainda convive com dificuldade com uma realidade que é para os outros obvia: não existem na vida pública, política ou religiosa, temas tabus: muitos políticos temem abordar temas religiosos ou mesmo partilharem profissões ou até dúvidas pessoais de Fé, como se as opções nesse campo tenham que ser escondidas ou mantidas na confidencialidade do lar – recentemente experimentei pessoalmente o quão esses traumas do passado não estão ainda ultrapassados e o peso desses tabus é ainda enorme. Por mim não me arrependo minimamente de ter dado o meu modesto contributo para os ultrapassar. Mas verdade é que também muitos religiosos evitam, talvez por também terem experimento a violência de algumas dessas reacções, opinar sobre alguns temas, supostamente na esfera política.
Suas Excelências Reverendíssimas, Minhas Senhoras e Meus Senhores, Caras e Caros Colegas
A Igreja Católica em Portugal é por ventura uma das nossas mais antigas instituições, o seu passado confunde-se muitas vezes com o nosso passado enquanto Nação, teve como todas as Instituições feitas por homens os seus momentos de Comunhão, mas também os seus dias menos felizes.
Com alguma ousadia, creio ser justo afirmar que a Igreja Universal está mais próxima da pureza original hoje do que muitas vezes no milénio passado. Principalmente fruto dos homens que hoje a servem ao mais alto nível, mas também duma Sociedade mais atenta e consciente. Verdade que vivemos num mundo em que corremos mais riscos pela erosão de certos valores, mas estou certo que como em mais de dois mil anos de História, a Igreja saberá adaptar-se a estas novas realidades.
Queria deixar uma palavra sobre o nosso Portugal, para publicamente agradecer à Igreja pelo trabalho que desenvolve constantemente no apoio social a idosos, crianças, doentes, desempregados e todos aqueles que precisam de ajuda de alguma forma. Portugal seria um país pior sem essa ajuda, que por vezes, por preconceito ideológico, alguns não reconhecem nem apoiam.
Escrevi, faz agora uns meses, que parece que pegou moda em certos meios eleger “a Igreja Católica como alvo constante de provocação gratuita e desnecessária, a quem tudo se pode dizer e se espera que fique calada.” Não será certamente a primeira vez que vivemos este cenário na história da nossa Patría – mas como de todas as outras vezes, todos estes esforços estão obviamente condenados ao fracasso absoluto. É que parece que alguns esquecem, e cito a exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia In Europa “ que a Igreja não pede um regresso a formas de Estado confessional. (Mas) Ao mesmo tempo deplora todo o tipo de laicismo ideológico ou de separação hostil entre as instituições civis e confissões religiosas”. E muitos parecem esquecer que por vontade e opção dos portugueses, somos um país laico, mas em que a maioria da população é Católica.
Não me querendo alongar em demasia queria, Suas Excelências Reverendíssimas, Minhas Senhoras e Meus Senhores, lançar-lhes o desafio de aproveitarem esta jornada de encontro e partilha para nos conhecermos melhor, percebermos como podemos trabalhar melhor juntos e passar a mensagem de que, como actor primordial da nossa Sociedade, a Igreja Católica em Portugal e na Europa, não deve alhear-se do debate, mas antes ser nele parceiro activo com a vantagem de, pela sua experiência espiritual, ética e social nos poder ajudar a nós actores políticos a servir melhor aqueles que nos elegeram. Que fiquem a conhecer melhor a realidade politica Europeia e que nos desafiem da forma directa e explícita como tantas vezes a Igreja faz e fez no passado. Lembro um dos mais ilustres cidadãos que esta nossa União Europeia conheceu, e alguém que espero brevemente poder tratar por Santo, o polaco Karol Woytila. Um dos mais activos apoiantes do processo de integração europeia e nomeadamente algo em que pessoalmente estive bastante envolvido: o processo de alargamento ao nosso leste, dizia João Paulo II: “A Igreja Católica está convencida de que pode dar um contributo singular em ordem à unificação, oferecendo às instituições europeias a ajuda de comunidades de crentes que procuram realizar o compromisso de humanização da sociedade a partir do Evangelho vivendo sob o signo da esperança. Nesta perspectiva é necessária a presença de cristãos adequadamente formados e competentes nas várias instâncias e instituições europeias., que concorram, no respeito dos correctos dinamismos democráticos e através do confronto das propostas, para delinear uma convivência europeia cada vez mais respeitosa de todo o homem e mulher e, por isso, conforme ao bem comum”.
Que nós, políticos envolvidos na construção da Europa, saibamos também beber e nos deixar inspirar por essa imensa capacidade de servir, e encontremos a força para continuar a lutar por valores e causas.
Bem hajam pela vossa presença, espero que no final desta jornada, concluamos que ela tenha sido enriquecedora, esclarecedora e interessante!











