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in english Página Oficial de Mário David Deputado ao Parlamento Europeu. Vice Presidente do Partido Popular Europeu

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29 Janeiro 2010

Mário David entrevistado em directo de Auschwitz pelo RCP

No passado dia 27 de Janeiro o Eurodeputado português e Presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as relações com os países do Maxereque Mário David, concedeu uma entrevista ao Rádio Clube Português, em directo de Auschwitz, aquando da sua participação nas Cerimónias Comemorativas da Libertação do Campo, há 65 anos pelas tropas soviéticas (ver secção "noticias" desta página).

Conheça as suas primeiras impressões sobre a visita a este Campo da Morte, situado no Sul da Polónia. Saiba mais sobre o Museu de Auschwitz-Birkenau em http://www.auschwitz.org.pl. Por agora leia a entrevista:

RCP- Como é que está a correr a Cerimónia aí em Auschwitz?

Mário David- Como calcula, com alguma emoção, na medida em que 65 anos depois da libertação ainda sobrevivem inúmeros antigos prisioneiros que contaram ao longo do dia, nos encontros connosco, as suas experiências ultra traumáticas, como deve imaginar.

Portanto é um dia pesado. Estamos aqui com 12 graus negativos, podemos imaginar, (e nós estamos devidamente vestidos, acondicionados e preparados para enfrentar este tempo) toda a crueldade do que se passou num campo onde foram exterminados, como referiu, mais de um milhão de pessoas e portanto julgo que é importante assinalar estes eventos, não só para prestar tributo aos mártires desse mesmo flagelo, desse mesmo desastre humano, mas acima de tudo para podermos aprender com os erros e para que a História não se repita.

Eu sou daqueles que estou convencido que efectivamente os acontecimentos aqui em Auschwitz, em [Auschwitz]- Birkenau [e noutros Campos de Concentração], condicionaram muito o aparecimento da [então] Comunidade do Carvão e do Aço, (o que hoje em dia é a União Europeia) e nós não podemos esquecer que esta nossa aventura de uma partilha voluntária de soberania levou já mais de 50 anos não só de paz, [como é] também o maior período de paz e prosperidade que a Europa conheceu e portanto estamos [igualmente] a prestar uma homenagem a quem está na base de todo este projecto.

RCP- Para além desse encontro com algumas pessoas que sobreviveram, há outras formas de assinalar este dia aí em Auschwitz?

Mário David- Vamos ter agora uma cerimónia com o Primeiro Ministro da Polónia e com o Primeiro Ministro de Israel e estão aqui representados inúmeros Parlamentos nacionais, praticamente os 27 estados-membros da União Europeia. Está [também] o Parlamento Europeu com uma delegação, na qual me incluo.

Houve ontem uma conferência sobre o Holocausto e que lições tirar para que a História não se repita. [E foi esta para mim] a utilidade [maior] deste encontro de parlamentares vindos de toda a Europa e também do Knesset Israelita.

RCP- Para além do Eurodeputado Mário David, do PSD, há outros Eurodeputados Portugueses aí nessa comitiva?

Mário David- Sim, está o meu colega Nuno Melo e depois estão quatro colegas a representar o P.S., o P.S.D. e o C.D.S./P.P. do Parlamento Nacional.

RCP- Uma coisa é nós falarmos em Auschwitz e termos um certo distanciamento. Estar aí, é o quê? Representa o quê?

Mário David- Posso-lhe dizer que foi das experiências talvez mais traumáticas que já experimentei, porque estamos [no local] onde ocorreram os horrores mais sádicos, mais cruéis e [depois] pensar que isso se passou no século passado em território Europeu...

Hoje em dia, com as televisões, estamos habituados a ver as coisas quase em directo e aquilo que vou dizer pode ser politicamente incorrecto, mas são coisas que se passam em países como o Ruanda ou em países distantes, com os quais não nos identificamos tanto [em termos culturais].

Quando pensamos que isto se passou dentro de um território que é aquele que partilhamos, em que as pessoas partilham a mesma cultura, partilham as mesmas experiências, etc, é importante ouvirmos da boca (e isso aconteceu hoje de manhã com dois sobreviventes), que eles tinham consciência que aqueles horrores, aquele sadismo que lhes eram infligidos eram [por parte] de outros seres humanos, nem sequer obedeciam a uma Lei que viesse de Hitler, nem de Himmler, nem de Hoess, era de outro ser humano que estava assim ali ao lado, quer dizer... as pessoas entravam neste campo com um nome e depois passavam a ser um número...

Está também aqui a Sra Simone Veil, como figura de Estado e antiga Ministra francesa (como sabe), que também aqui esteve e com quem, no Parlamento Europeu já tinha falado várias vezes acerca das suas experiências, [Simone Veil] quis também [estar presente] aqui hoje.

Posso-lhe dizer que é um dia difícil de esquecer e difícil de ultrapassar.

RCP- Agradeço-lhe muito por esta entrevista, o Eurodeputado Mário David, em directo de Auschwitz, a assinalar a libertação desse campo de extermínio. Muito boa tarde.

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