
O Deputado Europeu do PSD e Presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com os Países do Maxereque, publicou este fim de semana um artigo no Jornal Expresso, em que defende um maior envolvimento da União Europeia na mediação do conflito Israelo-Palestiniano.

Médio Oriente: a hora da Europa!
Desde a sua independência a 14 de Maio de 1948, e com maior ou menor amplitude, nunca cessaram os conflitos entre Israel e o mundo Árabe que o rodeia. A recente escalada e cada vez maior perda indiscriminada de vidas faz com que, neste planeta global e mediatizado, as opiniões públicas europeias e americanas comecem a dar evidentes sinais de exasperação por constatar que nada evolui e, muito menos, se estabilizou.
Se indiscutivelmente Israel tem direito a existir e à sua segurança, não é menos verdade que devemos concluir o processo para os Palestinianos adquirirem a sua dignidade. Há décadas que os Estados Unidos da América tentam, sem sucesso, mediar o conflito! Desde Junho de 2002 que, sob proposta da União Europeia, foi constituído o Quarteto para o Médio Oriente, formado pelas Nações Unidas, União Europeia, Estados Unidos e Rússia. Os progressos não são encorajadores!
Julgamos pois que é hora de a União Europeia ter um novo papel bem mais interventivo e autónomo na busca de uma solução global de tão dramático conflito. Desde logo tendo em conta as seculares relações de alguns dos países membros da União Europeia com o mundo árabe, o incomparável e empenhado apoio da Europa para dotar a Autoridade Nacional Palestiniana dos meios para que se possa tornar num Estado viável e autónomo, a dimensão sem comparação da ajuda humanitária e de reconstrução das áreas palestinianas atingidas e as tradicionais relações de amizade e parceria com Israel, fazem da nossa União um parceiro credível e insubstituível. Assim haja a coragem e a vontade política!
Uma solução segura, estável e duradoura, tem que assentar nos princípios tantas vezes repetidos: a existência e convivência pacífica de dois Estados, Israel e Palestina, ambos com a capital em Jerusalém; o regresso às fronteiras existentes a 4 de Junho de 1967 (antes da Guerra dos Seis Dias) entre Israel, a Síria e o Líbano; uma solução negociada do regresso dos refugiados palestinos que não distorça o equilíbrio demográfico de Israel. Por isso a Iniciativa da Paz Árabe aprovada na Cimeira de Beirute de 28 de Março de 2002 continua a ser uma interessante base de trabalho.
Para garantia da sua implementação é necessária a reconciliação entre os Palestinianos, a aceitação por todas as suas facções do reconhecimento de Israel e a renúncia ao uso da violência, um compromisso para a utilização dos escassos recursos hídricos da região, o óbvio levantamento do bloqueio a Gaza e a libertação e troca de prisioneiros.
Finalmente, como garantia de tudo o que vier a ser acordado e sob a égide das Nações Unidas, deverá ser constituída uma força internacional de manutenção de paz composta de militares da OTAN (incluindo os Estados Unidos da América) e de países muçulmanos.
Com o novo Tratado de Lisboa, a União Europeia tem, finalmente, as bases institucionais para projectar uma Política de Relações Externas e de Segurança e Defesa compatível com a sua dimensão demográfica e importância económica. E a questão do Médio Oriente ultrapassa em muito um conflito regional!
Vivemos semanas de uma perigosa escalada de tensão e violência no Mediterrâneo Oriental. Cada trágico acontecimento nesta parte do Mundo fomenta mais ódio e incompreensão! Alimenta os radicalismos, inspira os fundamentalismos! É cada vez mais premente agir! Antes que seja tarde demais! Sem presunção, sem estultícia, conscientes da dimensão do problema, sem sermos nem ingénuos nem masoquistas, é hora da Europa assumir este desafio!











