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in english Página Oficial de Mário David Deputado ao Parlamento Europeu. Vice Presidente do Partido Popular Europeu

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12 Janeiro 2010

Ainda a Eleição de Barroso para Presidente da Comissão Europeia...

No passado dia 24 de Dezembro, o "Semanário Expresso" publicou um artigo intitulado "Como Durão preparou a saída para Bruxelas". Senti necessidade de proceder a alguns esclarecimentos e de proceder ao devido enquadramento dessa notícia. Nesse sentido, o "Expresso" publicou um artigo meu, no passado Sábado, dia 9 de Janeiro, que reproduzo seguidamente:

Ainda a eleição de Barroso para a Comissão

 

A leitura menos atenta de “Como Durão preparou a saída para Bruxelas” poderá induzir interpretações erradas e, tendo sido o elemento da sua equipa que mais de perto seguiu todo o processo, posso testemunhar vários factos e contextualizar e clarificar o que se passou.

A primeira interpretação sugerida é a de que Durão Barroso estaria a praticar uma dupla estratégia, pretendendo que apoiava António Vitorino quando simultaneamente incentivava a sua própria candidatura. Isto não corresponde à verdade. Desde o Conselho Europeu de Março de 2004, por instrução directa do então Primeiro-Ministro, toda a diplomacia portuguesa foi incumbida de sensibilizar as várias Chancelarias para a candidatura de Vitorino.

Sugere-se também que no almoço de 24 de Maio em Lisboa com Wilfried Martens, Barroso se teria assumido como candidato. Ora, como referido no artigo, nesse encontro Durão Barroso reiterou ao Presidente do Partido Popular Europeu as qualidades do Comissário Vitorino. Foi então confrontado com a decisão da Cimeira do PPE de 1 de Maio, em Dublin, de que o Presidente da Comissão deveria ser do PPE se esse fosse o partido que viesse a ganhar as eleições europeias. Foi Martens quem insistiu na candidatura de Barroso, sublinhando que havendo outros nomes potenciais do PPE, era o seu aquele que suscitava maior consenso: não só de inúmeros Chefes de Governo do PPE, mas também de socialistas como Blair e o Presidente polaco Kwasniewski, não esquecendo o apoio da então líder da oposição na Alemanha, Angela Merkel. Barroso limitou-se a admitir que era impossível deixar que o seu nome continuasse a ser equacionado, mas que ele queria bem claro que tal não resultava de sua iniciativa. Só nesse contexto se pode entender a frase que lhe é atribuída de que “negaria tudo” no caso de surgir qualquer notícia nesse domínio.

Porque efectivamente Durão Barroso se recusou sempre a ser candidato quando havia outra candidatura portuguesa. Na própria Cimeira de 17 de Junho, coerente com a posição assumida ao longo de todo o processo, Barroso apresenta ainda uma última vez a candidatura de Vitorino, tendo sido com o Primeiro-Ministro do Luxemburgo Juncker, (que apoiou o liberal belga Verhofstadt), o único dirigente do PPE que se afastou expressamente do consenso da sua família política. E Barroso, que nunca aceitou ser candidato contra qualquer outro nome, só veio a aceitar a 29 de Junho a sua nomeação por consenso de todos os Chefes de Estado e do Governo, incluindo Chirac e Schröder que lhe pediram que aceitasse esse cargo.

Quando se sugere que Barroso não devia ter saído de Portugal, não deixa de ser triste pensar se é por mesquinhez, inveja, ou apenas falta de auto-estima, que os portugueses desvalorizam os êxitos dos seus compatriotas e o que isso representa para o nosso País. A Dinamarca rejubilou quando Anders Rasmussen, então seu Primeiro-Ministro, foi para Secretário-Geral da OTAN. A Bélgica aclamou a indigitação daquele que era apenas há alguns meses seu Primeiro-Ministro, Herman Van Rompuy, para Presidente do Conselho da UE. A recente e expressiva reeleição de Durão Barroso foi a confirmação de quanto nos devemos orgulhar pelo seu prestigiado desempenho do mais alto cargo internacional alguma vez exercido por um português.

 

Mário David

Eurodeputado

Vice-Presidente do PPE

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